quarta-feira, 16 de março de 2011

Pimpinela: me esquece e pega o beco



Defenestrados Leitores,

Como veremos, existem mais coisas entre um aristocrata inglês, uma personagem da novela “Araguaia”, a minha primeira playboy e uma dupla argentina que fez sucesso no nos anos 80, do que sonha nossa vã filosofia.

Nos anos 80, uma canção em forma de dueto tomou as rádios latinoamericanas, sendo uma das mais executadas, principalmente nos cabarés de fronteira, de Tabatinga até Foz do Iguaçu.

Trata-se da canção “olvidame y pega La vuelta” da dupla de dois chamada Pimpinela, formada pelos irmãos Joaquin e Lucia Galán.

Os irmãos se destacaram por compor e interpretar de uma maneira muita peculiar, incluindo um ar teatral nas apresentações e com letras que narram situações cotidianas na forma de diálogo.

Não por acaso, as canções que retratam brigas típicas de casal alcançaram grande sucesso, passando a ser chamadas de “peleas cantadas”, marca característica da dupla.

Para os curiosos, “pimpinela” é uma planta aromática dos prados úmidos, com flores purpurinas, da família das rosáceas.

Pimpinela também é nome de uma presonagem da atual novela das seis, que passa às sete.

Pimpinela também se refere ao famoso Sir Percy Blakeney, aristocrata precursor de Schindler, que ajudou muitos colegas de sangue a fugir da guilhotina e de Robespierre.

Percy enviava a galera aristocrata para a Inglaterra, deixando-os em segurança, colocando no local, apenas uma pequena flor vermelha. Isso lhe valeu o apelido de o “Pimpinela Escarlate”.

Segue a canção:


Olvidame Y Pega La Vuelta

Hace dos años y un día que vivo sin él,
Hace dos años y un día que no lo he vuelto a ver,
Y aunque no he sido feliz aprendí a vivir sin su amor,
Pero al ir olvidando de pronto una noche volvió...
¿Quién es?
Soy yo...
¿Qué vienes a buscar?
A ti...
Y es tarde...
¿Por qué?
Porque ahora soy yo la que quiere estar sin ti...
Por eso vete, olvida mi nombre, mi cara, mi casa,
Y pega la vuelta
Jamás te pude comprender...
Vete, olvida mis ojos, mis manos, mis labios,
Que no te desean
Estás mintiendo ya lo sé...
Vete, olvida que existo, que me conociste,
Y no te sorprendas, olvida de todo que tú para eso
Tienes experiencia...
En busca de emociones un día marché
De un mundo de sensaciones que no encontré,
Y al descubrir que era todo una gran fantasía volví,
Porque entendí que quería las cosas que viven en ti...
Adiós...
Ayúdame...
No hay nada más que hablar...
Piensa en mí...
Adiós...
¿Por qué?
Porque ahora soy yo la que quiere estar sin ti...
Por eso vete, olvida mi nombre, mi cara, mi casa,
Y pega la vuelta
Jamás te pude comprender...
Vete, olvida mis ojos, mis manos, mis labios,
Que no te desean
Estás mintiendo ya lo sé...
Vete, olvida que existo, que me conociste,
Y no te sorprendas, olvida de todo que tú para eso
Tienes experiencia...





No Brasil a canção ganhou uma versão, entre outras, da dupla Jane e Herondy, que também se notabilizou por compor e cantar nesse estílo. Vale lembrar o clássico "Não se Vá", que possui, por sinal, um desfecho muito mais feliz que a canção anterior.

Lembro-me que encontrei certa manhã Jane passeando perto de seu apartamento no bairro dos Jardins em São Paulo.

Eu havia sido alertado pelo porteiro do hotel onde eu estava que isso poderia ocorrer, e me sugeriu que não falasse do Herondy pois eles haviam se separado.

Há menos tempo, a Banda Vexame liderada pela minha primeira playboy Marisa Orth (no auge de suas pernas) alcançou popularidade com uma versão da música portenha.




Pra quem não lembra, em cima do palco, Marisa Orth virava a apresentadora Maralu Menezes e seus convidados Carlos Pazzeto, Marcelo Papini e Fernando Salém viravam Malcon Ewerson, Cido Campos e João Alberto, respectivamente.

O repertório da banda era composto por resgates de clássicos da música nacional e internacional como: Uma vida só (pare de tomar a pílula), cantada nos anos 70 por Odair José ou Chuvas de verão, de José Augusto.

A Vexame criou um rótulo para o repertório que apresentava: MBPBB (Música Bem Popular Bem Brasileira), que incluia ainda canções de Lílian, Sharon, Fernando Mendes e Roberto Carlos.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Na Sua Faringe



Infaustos Leitores,

O meu, o seu, o nosso aro irá dedicar este post ao grupo "Faringes do Amor" a nova fina flor da MPB que só poderia vir de Recife-PE.

Pra quem não conhece, Faringes da Paixão é uma banda nascida em 2004 com o objetivo de reviver a música romântica nacional, conhecida como Brega, homenageando os grandes nomes como o rei Reginaldo Rossi e Odair José.

A banda ainda faz sua homenagem aos artistas conterrâneos e contemporâneos como o Conde e Kelvis Duran, além disso interpreta versões de músicas internacionais de sucesso.

Vejam a magnânima letra do já clássico "Fofolete do Cão" - "Banana é 1 Real", hino que narra desventuras pelas quais todo homem já passou:


"Conhecer mulher feia é o destino de todo homem
Um dia vai te acontecer, pode crer, campeão!
Vai ser um ninja, um dragão
um double ou um canhão
Uma trepeça, derrota, um samurai
Ou uma fofolete do cão...

Fofolete do cão...

Tomar cuidado não vai ser suficiente
Ela vai te pegar ela conhece muita gente
Os seus amigos não vão poder te ajudar
E certamente você não vai escapar
Da fofolete do cão...

Fofolete do cão...

Pra quem foi pego só resta uma solução
Beber até morrer ou então
Viver eternamente sofrendo retaliação
Vestindo a camisa do bloco
Da fofolete do cão...

Fofolete do cão...

É meu conselho, eu também já fui pego
Venha comigo e exorcize o seu ego
Pra nunca mais ter que se ver atormentado
Fuja meu amigo! Ou vai ser encurralado
Pelo monstro mais horrendo que é
A fofolete do cão...

Fofolete do cão"...


Como meu pai já dizia, quem não come mulher feia não entra no céu.

A Banda disponibiliza o cd on line através do link abaixo:


http://www.faringesdapaixao.com.br/cd/

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Pergunte ao jogador


Colendos Leitores,

Já de há muito fico indignado com a desconfiança que certas pessoas possuem sobre a capacidade cognitiva de nossos jogadores de futebol.

Lógico que isso não passa de ressentimento em razão de você se matar de estudar e trabalhar e não ganhar nem um milésimo dos caras que, chutando uma bola, ganham pra si o melhor que o mundo pode dar.

Woody Allen já dizia que quando viramos adultos descobrimos que aquilo que nossos pais diziam que era bom não tem o menor futuro, e aquilo que eles diziam que era ruim, na verdade, era ótimo.

Até hoje guardo rancor por lembrar de todos os momentos em que deixei de jogar bola pra ficar com a cara enfiada nos livros.

E daí se você sabe o hino nacional? Vai dizer isso pra loira colada no craque pagodeiro.

Se você tiver um filho dê para ele uma bola e um cavaquinho. E pra filha um fio dental e uma garrafa pra ela ralar.

Se não levarem jeito, matricule no inglês, no reforço e torça pra ele (a) ir pra faculdade.

De toda sorte, muitos criticam o fato dos jogadores responderem sempre a mesma coisa nas entrevistas. O que ninguém parece notar é que toda resposta decorre de uma pergunta, e porra, os jornalistas sempre perguntam a mesma merda. Exemplos:

Situação: Jogador faz três gols na partida;
Pergunta: E ae Juninho Goiano , feliz com a atuação?
Resposta: "É, na verdade o grupo todo está de parabéns, o grupo tá unido, tá coeso, e só tenho a agradecer a Jesus em primeiro lugar(se for evangélico) e aos meus companheiros que fizeram uma ótima partida".
Comentário: O que vocês queriam? “Eu estou de parabéns, sou foda, se não fosse eu esse time tava fodido”. Ou, “na verdade não, o que é fazer três gols enquanto milhões morrem na África?”

Futebol é um esporte coletivo, se o cara se enaltece pega mal no grupo. Mais um caso:

Situação: Jogador chega ao final do campeonato brigando pela artilharia;
Pergunta: E ae Juninho Goiano , sonhando em ser artilheiro?
Resposta: É, na verdade o grupo todo está de parabéns, o grupo tá unido, tá coeso, e só tenho a agradecer a Jesus em primeiro lugar(se for evangélico) e aos meus companheiros que fizeram uma ótima partida, e mais do que ser artilheiro o importante é o resultado.
Comentário: O que vocês queriam? “Eu estou de parabéns, sou foda, se não fosse eu esse time tava fodido, na verdade ser artilheiro é meu único objetivo não importa se esse time cair ou perder, o importante é que eu faça gols”.
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Situação: Time perde final ou clássico.
Pergunta: E ae Juninho Goiano, triste com a derrota?
Resposta: “É, na verdade o time adversário está de parabéns, o time tentou lutou, infelizmente não conseguimos e o que nos resta agora é levantar a cabeça e pensar na quarta-feira (se o jogo for no domingo) / no domingo (se o jogo for na quarta) que vem”.
Comentário: O que vocês queriam? “É na verdade estou feliz pois torço pro time adversário, e sabe como é, jogo a gente ganha, a gente perde, no fundo sob a perspectiva dialética dá no mesmo”.
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Situação: Time ameaçado de rebaixamento.
Pergunta: E ae Juninho Goiano, como sair dessa situação?
Resposta: “É, na verdade o grupo está tentando, o time tentou, lutou, infelizmente não conseguimos e o que nos resta agora é levantar a cabeça, trabalhar durante a semana pra conseguir sair dessa situação”.
Comentário: O que vocês queriam? “Na verdade eu não sei como sair da situação, até mesmo se eu soubesse já teríamos saído. Não adianta dizer que trabalhar durante a semana vai resolver, o time é ruim mesmo e pelo visto vai cair”.
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Situação: Jogador titular amarga o banco.
Pergunta: E ae Juninho Goiano, como voltar a ser titular?
Resposta: “Eu estou trabalhando, meus colegas de posição também e temos que deixar na mão do professor que entende o que é melhor pro grupo”.
Comentário: O que vocês queriam? “ Bom, eu já parei de fumar, beber, cheirar e ir pra balada durante a semana. O problema é que esse viado desse técnico tá dando o rabo pro atual titular e comer cu eu não faço”.
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Por isso, desafio a todos a responder da maneira mais original as seguintes questões:

Feliz com a vitória?
Triste com a derrota?
Como sair dessa situação? (ameaça de rebaixamento)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Guaraná Jesus como fonte de inspiração dos Gênios Maranhenses



Caros Leitores,

Como devidamente salientado na postagem anterior, todo analista, que possua o mínimo de discernimento cultural, reconhece o Estado do Maranhão como o maior exportador de maconha...ops.. de gênios da Música Popular Brasileira.

De Raimundo Soldado a Adelino Nascimento, de João do Vale a Julio Nascimento, passando por Cláudio Fontana, todo amante do gênero brega, caso não tenha visitado, conhece o Maranhão pelo imaginário construído através de pérolas como "Vou Voltar pra São Luis" ou "Minha Santa Inês".

Eu tive o privilégio de, por três ocasiões, mergulhar nos mistérios de Zé Doca, viajar no Cosmopolitismo de Bacabal, saborear a hospitalidade de Santa Inês e me admirar com as belezas da Capital Maranhense.

Na realidade, o Maranhão todo é uma cidade só que se chama Sarneycity.

Muitos dizem que o Maranhão não pertence ao Nordeste, nem ao Norte, na verdade o Estado seria um areial que separa o Norte do Nordeste.

De toda sorte, nada levanta mais controvérsias que a bebida, somente comercializada por lá, denominada GUARANÁ JESUS!



O Guaraná Jesus possui propriedades alucinógenas capazes de escancarar as portas da percepção, levando o indivíduo que o bebe a transferir-se para um estágio mais avançado de consciência e evolução.

Tudo começou há um tempo atrás na ilha do soooolll!!

Não, na verdade, a história começa há mais de dois mil anos com Jesus de Nazaré, um desempregado nascido em Belém do Pará (Estado vizinho do Maranhão) e filho de um madeireiro chamado José.

Um dia, Jesus e sua família estavam participando de uma tradicional festa de casamento no Estado vizinho, mais especificamente na residência dos Sarney, quando acabou a bebida, o que gerou confusão e morte (coisa natural no Maranhão), então Maria pediu ao filho que não deixasse o amigo José (Sarney) na mão.

Jesus, que passara a juventude no ócio e bolando ideias sem futuro, gostava de misturar as coisas pra ver no que dava, então resolveu pegar alguns potes de barro repletos de água (coisa comum no Nordeste) e jogar um vidro de sabultamol (xarope docinho para a tosse) , amaciante de roupas, desinfentante, pequí ralado e pirilipimpim, gerando uma bebida rosa, gasosa e alucinante.

A bebida foi um sucesso e logo Jesus passou a ser convidado para comandar as pick-ups nas festas,ops, comandar os comes e bebes de todas as arruaças do Pará, Maranhão e adjacências.

Graças ao baratorol e ao noiotracina, substâncias potentes, o cérebro de quem ingere a bebida entra em efervescência causando delírios inefáveis.



Na ocasião, para animar as festas regadas a Guaraná Jesus, surgiu um novo ritmo musical chamado tecno-brega com letras e melodias inspiradas nas viagens psicodélicas e cultuando figuras pagãs como a ninfa Calipso.


(Chimbinha - Virtuose do Gênero - O Guaraná Jesus foi para Chimbinha o que o Ácido Lisérgico foi para Jimmi Hendrix)


O grande problema foi que o Império Romano, então comandado por José Roberto Marinho, insatisfeito com a queda na compra de vinho, bebida produzida e distribuída em um dos ramos de seu extenso grupo empresarial, pediu a cabeça de Jesus.



Subornando um coalira de seu convívio chamado Judas, por 30 moedas (o suficiente para comprar 15 latinhas de guaraná Jesus),os Romanos conseguiram descobrir o cativeiro de Jesus e o prenderam.

Crucificado ao lado de dois conterrâneos, Jesus virou simbolo da contracultura advinda do consumo desenfreado da bebida, provocando uma geração de cabeludos e barbudos desempregados e malcheirosos.

Vale ressaltar ainda que, antes de sua prisão e crucificação, Jesus levou a cultura psicodélica do guaraná ao nivel litúrgico quando em um dia de larica apanhou um pedaço de broa e um copo de guaraná dizendo:

"Tomai e comei, este é meu corpo, tomai e bebei este é meu sangue".


(Bob Dylan- Inveterado Bebedor de Guaraná Jesus retratou suas experiências na canção "Rainy Day Women # 12 & 35" gravada ao vivo em um cabaré de Pedreiras)

Crucificado, morto e sepultado, muitos viciados em Guaraná Jesus se reunem até hoje ao redor de seu túmulo para cantar clássicos de Raul Seixas entre outros artistas que tiveram seu processo criativo influenciado pela mágica bebida.

Inclusive, Jim Morrison, vocalista do "The Doors" e até hoje o maior consumidor da bebida, em inúmeras gravações que captam seu transe, volta e meia pede a bebida enquanto canta, como na clássica "The End" que refere-se ao último gole da garrafa de Guaraná Jesus e à abstinência daí advinda.


(Transporte Público em São Luis)

Por questão de saúde pública, hoje a bebida somente é comercializada no Maranhão, sendo recentemente legalizado o seu uso em pequenas quantidades na Holanda.

Pra quem não experimentou ainda, fica a dica.

"Não há nada melhor para expandir a consciência do que um copo de Guaraná Jesus ao som de Raimundo Soldado de trás pra frente". John Lennon

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Adelino Nascimento: A Majestade do Brega



Infames Leitores,

O meu, o seu, o nosso aro de há muito devia uma postagem sobre este ícone do romanesco-popular, nada mais nada menos que Adelino Nascimento!

Auto-intitulado "o cantor mais apaixonado do Brasil e do resto do mundo", o gênio nascido em Maracaçumé no Maranhão, falecido em Aracajú em 2008, vítima de problemas respiratórios, deixou clássicos que embalaram as paixões de casais do Brasil e do resto do mundo como: "Na Pracinha da Igreja", "Secretária na Beira do Cais", "Telefone", "Voa Canarinho", "Caminhoneiro Apaixonado" e "Vou Voltar pra São Luiz".

Ao contrário de outros cantores, Adelino não permitiu que convenções gramaticais, concordância ou plural limitassem seu trabalho. Ele e o amor estão acima disso.

Embora existam inúmeros boatos sobre as circunstâncias de sua morte, o próprio cantor asseverara em sua obra que, de fato, sua doença era o amor.

Vejamos a verve e o esmero poético de Adelino na canção "Secretária da Beira do Cais" que retrata a condição das funcionárias administrativas nas regiões portuárias do país:

Ela espera e não desespera na beira do cais
Ela quer quem vier quem trouxer quem der mais
Ela sabe que os homens de branco estão pra chegar
E na cama ela tenta a vida ganhar


Vejam isso... "Ela espera e não desespera", isso é um tapa em Caetano e Gil, Adelino fundiu a cuca de vocês.


Seu olhar inquieto vacila em qualquer direção
O seu corpo empinado desfila na escuridão
Ela é uma estrela que brilha na vida que traz
Ela é a mulher maravilha da beira do cais (bis)


A quenga descrita como a heroína da noite.

Fim de mês é a hora e a vez de rever os parentes
Ela vai trazendo nas mãos milhões em presentes
Num instante se torna mocinha do interior
Um alguém com a pureza de quem nunca teve um amor
(bis)

A pureza restaurada no seio familiar.

"Como vai?" pergunta o pai a filha querida
Ele saber como é que está sua vida
Ela diz que é muito feliz na vida que traz
Que trabalha como secretária da beira do cais (bis)



Outro momento marcante na carreira de Adelino foi quando o poeta conseguiu usar o verbo "transpassar" pela primeira vez em uma canção, na bela "Vou Voltar pra São Luiz":


Chegou a hora
Eu tenho que ir embora
Eu não sei se algum dia
Voltarei neste lugar


Meu coração
Vai transpassado de dor
Porque eu sei que meu amor
Nunca mais quer me amar

Quando eu chegar
Em lugares diferentes
Ver alguém em minha frente
Lamentando o seu amor


Aí, eu sentarei do seu lado
Falarei do meu passado
Minha doença é amor
Aí, eu sentarei do seu lado
Falarei do meu passado
Minha doença é amor

Tem mais de um ano
Que deixei minha cidade
Aonde eu fiz tanta amizade
Aonde tá meu amor

Deus te peço por caridade
Quero encontrar na cidade
Um alguém que me deixou
Deus te peço por caridade
Quero encontrar na cidade

Um alguém que me deixou
Vou voltar pra São Luiz
São Luiz do Maranhão
Vou voltar pra São Luiz
São Luiz do Maranhão

Foi lá que ficou minha amada
Rosemeire adorada
Dona do meu coração
Foi lá que ficou minha amada
Rosemeire adorada
Dona do meu coração

Vou voltar pra São Luiz
São Luiz do maranhão...


Deveras é impressionante como o Maranhão é um celeiro de grandes poetas do porte de Adelino Nascimento, Raimundo Soldado e as pessoas insistem em falar somente em Zeca Baleiro e Ferreira Gullar!


Obs: No lado direito da tela o blog ganhou novas ferramentas: Uma barra de vídeos com o melhor do cancioneiro popular, Uma barra de pesquisa pra você localizar , por exemplo, quantas vezes consta a palavra "chifre" no blog, e ainda uma lista dos posts mais acessados.

Obs2: Persigam-me no twitter: @Nierine

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Sem Abuso: A Denúncia dos Horrores da Guerra na Obra do Grupo Art Popular



(Duas tradicionais formas de tortura)

Ínclitos Leitores,


O meu, o seu, o nosso aro está de volta com mais uma famigerada análise de nossa MEB (Música Erudita Brasileira) e mais uma vez com uma canção que integra o repertório do grupo Art Popular.

Já pudemos observar a influência da astronomia na produção de metáforas do Chico Buarque do gênero melacuequis, nada mais nada menos que o gênio Leandro Lehart.

Sempre na avant-garde, esse brilhante compositor, se utilizando de mais uma aparente banal canção romântica, tece duras críticas ao governo Bush e sua política intervencionista.

Leandro saiu do grupo que o projetou mundialmente, e em 2001 lançou um CD solo intitulado: "Solo".

Em 2003 voltou ao Art Popular, mesmo ano em que ocorreu a invasão do Iraque no dia 30 de março.

Do período chamado fase astronomica da carreira de Lehart até o seu retorno em 2003, o mundo passou por diversos eventos que repercutiram muito na obra deste músico.

Começando pelo atentado às torres gêmeas em 2001 e a chamada guerra ao terror que culminou com a invasão do Iraque, também chamada de Segunda Guerra do Golfo.

O governo americano sob o pálio de uma caça esquizofrênica ao terrorismo e ante o argumento da levada dos ideais democráticos para populações massacradas por ditaduras, empregou tradicional política intervencionista no Afeganistão e Iraque com o apoio de Britânicos, Italianos e outros.



A Guerra do Iraque começou em março de 2003, com a invasão do Iraque por uma coalizão militar multinacional liderada pelos Estados Unidos, sendo tida como encerrado em agosto de 2010.

O principal motivo para a guerra oferecido pelo ex-presidente norte-americano George W. Bush, pelo ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, e os seus apoiantes foi de que o Iraque estava desenvolvendo armas de destruição em massa.

Estas armas, argumentava-se, ameaçavam a segurança mundial. Para justificar a guerra, alguns responsáveis estadunidenses aduziram também que havia indicações de que existia uma ligação entre Saddam Hussein e a Al-Qaeda.

Apesar disso não foram encontradas provas de nenhuma ligação substâncial à Al-Qaeda e muito menos armas químicas.

A coligação liderada pelos Estados Unidos ocupou o Iraque e tentou estabelecer um governo democrático, no entanto falhou na tentativa de restaurar a ordem e a instabilidade levou a um conflito assimétrico com a insurgência iraquiana, guerra civil entre sunitas e xiitas e as operações da Al-Qaeda no Iraque.

Como resultado do seu fracasso em restaurar a ordem, um número crescente de países retiraram as suas tropas do Iraque.

Também não demorou muito para que as primeiras denúncias de abusos e torturas praticados pelos oficiais americanos contra os prisioneiros e civis sob sua guarda chegassem aos olhos de toda comunidade internacional.

A divulgação de imagens, feita pelos próprios oficiais em sites de relacionamentos, onde soldados colocam prisioneiros em situações, no mínimo, constrangedoras, correram por todo o planeta e os verdadeiros motivos de tal invasão restaram bem claros.

A tortura e abuso de prisioneiros na prisão de Abu Ghraib, o incidente chamado "os assassinatos de Haditha" onde 24 civis, incluindo mulheres e crianças foram mortos brutalmente, o incidente de Hamadiya (rapto e assassinato de um iraquiano chamado Hasshim Ibrahim Awad), o incidente de Mahmudiya (a violação e assassinato de uma garota de 14 anos e o assassinato da sua família), o massacre da boda (bombardeamento e alvejar de 42 civis em Mukaradib)são apenas alguns exemplos.

É evidente que a produção de um artista tão antenado com as questões contemporâneas não permaneceria incólume diante de tais fatos.

Desse modo, vejamos a famosa canção "Sem Abuso" que aparenta ser uma mera canção romântica, mas traz em seu bojo a denúncia nítida da situação no oriente-médio.




"Não abusa de mim não"...

Logo no primeiro verso o eu-lírico clama ao algoz o respeito pelos direitos e garantias previstos nas Convenções de Genebra.

"Um dia, você diz pra mim que me ama e me adora.
Que não se interessa por ninguém lá fora
Pura armação, pressão.
Da cabeça de quem um dia"


Ora, vejamos, o que aparentava ser um discurso voltado para a amada na verdade relata a relação diplomática americana com Saddan Hussein, da parceria ao ódio.

Notem o último verso "da cabeça de quem um dia" que é cortado abrubtamente e não encontra complemento no resto da canção... Uma voz que se cala, que é abafada pela censura.

"Bagdá chorando e você na calçada.
Eu no meu orgulho e você não diz nada"


Agora o que enfrentava a questão do Iraque de forma velada torna-se expresso. A alusão ao sofrimento vivido pela população civil local, o orgulho ocidental e impotência diante da calamidade restam evidentes nestes versos.


"Tanta gente no veneno e eu sem você
Senta aqui, pensa bem, pode crer.
Que o amor é maior que tudo
Do que eu e você, você e eu".


Notem que nessa estrofe o autor menciona o "veneno" como condição adversa de um grupo de pessoas e roga ao interlocutor que pare, reflita e compreenda a imensidão do amor, deveras um apelo pacifista, nos moldes de Gandhi.

Sem abuso, sem abuso, sem abuso.
Se eu tô com você, não sou de ninguém.
Eu sou o seu bem


Eis o refrão, novamente o que aparentava ser um discurso para a amada, de fato indica a condição do prisioneiro de guerra diante de seu capturador.

"Se eu tô com você" eu estou sob sua custódia, "eu sou o seu bem", bem não no sentido de querido, mas no sentido de propriedade (bem móvel, imóvel).

E a canção repete:

Um dia, você diz pra mim que me ama e me adora.
Que não se interessa por ninguém lá fora
Pura armação, pressão.
Da cabeça de quem um dia
Bagdá chorando e você na calçada.
Eu no meu orgulho e você não diz nada
Tanta gente no veneno e eu sem você
Senta aqui, pensa bem, pode crer.
Que o amor é maior que tudo
Do que eu e você, você e eu.

Sem abuso, sem abuso, sem abuso.
Se eu tô com você, não sou de ninguém.
Eu sou o seu bem


Importante salientar que tal recurso não é original, Chico Buarque de Hollanda o utilizou na canção "Apesar de Você" até hoje tida como canção de amor por muitos.

Ocorre que os motivos para o protesto político ser mantido velado e somente insinuado nas canções de Chico decorriam da censura oficial imposta pelo Estado durante o regime militar.

Agora Lehart, em "tempos democráticos" lança mão de tais recursos por uma razão clara:

O artista pós-moderno não se limita a fazer uma canção de protesto ou uma canção de amor, entrelaça uma na outra, arregimenta as imagens poéticas de modo que a pluralidade de significados expressem a complexidade do amor em tempos de guerra, leva a música "de protesto" para outro patamar, demonstra a censura velada dos meios de comunicação, ressalta a impotência do homem contemporâneo diante da nova ordem geopolítica.

Sem abuso.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Como expressar que você achou graça de algo na net?



Insignes Leitores,

Com o advento da internet e o surgimento dos diálogos virtuais, o homem passou a enfrentar dilemas inusitados, além dos tradicionais existentes (chifre e falta de dinheiro), que jamais poderia prever.

Por exemplo: Como expressar certas emoções que estamos habituados a esboçar em um diálogo presencial?

Por exemplo um riso?

Imaginem o primeiro batepapo on line, quando surgiu a primeira piada e o interlocutor achou graça e sentiu a necessidade de avisar ao outro interlocutor que aquilo que ele havia falado fez-lhe rir?

Que angustiante, mas ao mesmo tempo generoso. O homem passou a sentir a necessidade de demonstrar que foi afetado pela observação do outro de forma positiva. É um atestado: "Você não está me vendo agora, mas fez-me rir!"

Quando estamos falando com alguém e essa pessoa ri geralmente a expressão é natural, espontânea, não quis dar o sorriso como recompensa ou mérito pela frase espirituosa, aforismo sarcástico, ou putaria engenhosa, simplesmente sorri.

Voltando para a questão do primeiro diálogo nãopresencial, imaginem a angústia de expressar da maneira mais autêntica possivel esse maravilhoso ato de sorrir, rir, gargalhar...

Bom, para isso existem as onomatopeias, algumas quase universais:

dormir: "zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz"

engolir: "glut..glut..glut...glut"

dar o cu: "são paaaaaaaaaaulo!!!!!!!são paaaaaauuulo!"

Enfim, mas rir? cada um ri de um jeito. Uns mais contidos, outros mais extravagantes. Uns choram, uns babam, outros peidam, alguns até relincham.

Com a evolução do tempo, certas expressões de riso vingaram e outras não, na contemporaneidade confesso que nenhuma das formas vigentes me apraz o suficiente e encontro dificuldades ao esboçar a graça que achei de algo que considerei engraçado.

Hoje provavelmente, os mais comuns são o "kkkkkkkkkk" e o "huahuahuahahhuhauahuah"


O "kkkkkkkk", sinceramente, é muito idiota. Ninguém ri como uma metralhadora!Tento imaginar alguém rindo assim e me vem a mente um travesti idoso com a dentadura mal fixada achando graça de uma piada do Tiririca. Ou o próprio Tiririca rindo de seus eleitores.

Fora que o números de "k"s define o quanto aquilo foi engraçado. Desde um "kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk" em que o sujeito foi parar no hospital todo cagado e com a mandíbula esfacelada depois de ter quebrado o teclado do pc ao pressionar convulsivamente a famigerada letra "k", até o módico "kkk" que significa: "é...de fato.. tenho que jantar..fui!"

Por sua vez, o "hauahhauaha" soa mais espontâneo que o "kkkkk" só que parece risada de débil mental. E tem gente que incrementa o "huahuahu" com "hauhahudwdfhwhffw" , ou seja, surtou de vez.

Temos ainda o hehehe e o hahaha. O primeiro parece a risada do Hannibal Lecter. E o hahaha parece sarcasmo depois de não ter achado graça alguma.

Não sei se alguém lembra ou ainda usa, mas antigamente tinha o "rsrsrsrsrsr" abreviatura de risos.

Não sei se por ser velho, mas parece muito recatado. Imagino uma mocinha virgem sorrindo com a mãozinha na boca, recém chegada do crato, sendo questionada em um chat sobre onde babaçu abunda...

Enfim, fica a questão. O dilema permanece e a cada sorriso o homem pósmoderno encontra empecilhos na tentativa vã de expressar o que sente.

haha.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

As crias de Falcão



Pena que é só nas vestimentas

domingo, 24 de outubro de 2010

Manutenção Técnica de cu é rola!



Caros leitores,

Este que vos escreve está mais uma vez indignado com algo que acontece volta e meia nas madrugadas de domingo para segunda, e que ninguém parece se incomodar, mas que chegou o momento de darmos um basta definitivo:

ACABEM COM A MANUTENÇÃO TÉCNICA NOS EQUIPAMENTOS DA REDE GLOBO!!

Ou se não for possivel, que a façam em outro horário, porra!

Explico:



Desde criança tenho o hábito de dormir tarde. Tudo começou não sei quando, mas meus pais não souberam impedir esse costume, então comigo não tinha esse negócio de hora de criança estar na cama.

Ficava acordado até tarde, ou até amanhecer o dia e vendo o que estivesse passando na televisão, de maneira totalmente irrestrita.

Ocorre que só tinhamos tv aberta, e esta não transmitia 24 horas. O SBT passava filme e por volta de 01:00 já tinha saído do ar.

A Globo por sua vez exibia a sessão "Campeões de Bilheteria" (Não tinha Intercine) e encerrava por volta das 02:00 (no máximo).

Era sempre o mesmo drama. Acabava o filme, em Manaus a tv local exibia uma gravação antiga de um coral escroto, acompanhando o Maestro Julio Retchwell ao piano, e cantando sei lá o que. Quando não era isso, era o hino e a bandeira nacional tremulando.



Depois? A tv cinzenta chiando, ou a famosa e infame barra de cores e o som ininterrupto algo como um "tttuuuuuuuuummmmmmmmmm" parecido com o que escutamos depois de nos expormos a qualquer barulho ensurdecedor.

O resto da noite era solidão, medo, aflição, pavores infantis, e o rádio ligado para ter a companhia de F. Cavalcanti e seu "Love Songs".

Não preciso nem dizer minha felicidade quando a Globo anunciou que seria 24 horas!

Como assim? No ar o tempo todo? Programação sem parar?

Minhas madrugadas nunca mais foram as mesmas.E quando veio o "Intercine"?



O primeiro intercine, por óbvio não teve escolha do público, e o filme exibido foi "O Último dos Moicanos", eu vi. Eu estava lá, e você?

Chegou a ter intercine duplo. Isso mesmo, duas sessões.

Depois de um tempo a madrugada global assumiu a programa nos moldes que encontramos hoje: Intercine depois do Jô. Depois tem Corujão. Depois se sobrar tempo até a hora do Telecurso 2000 eles usam um dos tapaburacos. Vejam os principais tapaburacos de programação:

- Luluzinha
- Faísca e Fumaça
- Gasparzinho
- Angel
- Outra série fracassada dos anos 90.

Sempre encerrando com a voz animada do narrador: "Rede Globo apresentou..."

Por mais que exibam muito lixo, de vez em quando passa um filme interessante. Aliás, quem vê muito filme de madrugada desenvolve um gosto peculiar, vira um cinéfilo excentrico e underground especialista no chamado cinema de porteiro.

A Globo não passa Bergman e Eisenstein. Mas passa coisas boas também. Quem bebeu de tal fonte desenvolve um juízo crítico desapegado dos tabus e mitos que todos os cults veneram e buscam manter imaculaveis.

Ademais, vendo filmes de madrugada você pode acompanhar o retrato de uma época, os filmes dos anos 80 e 90 que não entraram para história. Que um dia passaram na sessão da tarde sem muita audiência, mas passam a ter um lugar cativo no corujão.

Minha formação cultural na sétima arte se deu desse modo. Por isso tenho dificuldades de discutir cinema com pseudo-intelectuais afetados e adoradores de Godard.

Embora tenha visto, e ame os filmes de Godard, Truffaut, Renoir, Antonioni e Welles, ainda tocam especialmente em meu coração aqueles filmes que a gente nunca sabe o título e tenta explicar assim:

"É com aquele cara que faz o namorado daquela menina naquele filme do policial aleijado, filme do policial aleijado? não o do aleijado que mataram a família, o do aleijado que volta a andar, pois é, o namorado da menina é o tio pedófilo daquela menina que faz uma doente no filme daquele mulher que tenta resgatar a filha..."

E as opções do intercine?

Em minha casa não tinha telefone. Senpre tinha um filme que eu queria ver e outro que eu não queria ver de jeito nenhum. E ficava na expectativa.

Narrador:

"Intercine, ligue agora e escolha o filme que você quer ver amanhã:
- Para ver uma mãe obstinada em reencontrar seus doze filhos perdidos depois de uma avalanche em "SOTERRADOS" ligue: 0800-707-3001

-Ou para ver uma turminha aprontando altas aventuras que até deus duvida em "ACAMPAMENTO DO BARULHO" ligue: 0800 - 707 - 3002.

Eu ficava imaginando quem eram os filhos da puta que ligavam e quantos, pensava também na diferença: 8 a 2.

Com o tempo virei especialista no gosto dos expectadores do intercine. Eu sabia de antemão qual o filme ia ganhar.

Os insones seguiam padrões básicos:

Entre uma comédia idiota e um drama - vencia uma comédia
Entre um filme de cachorro e um filme de luta - vencia um filme de luta
Entre um filme de luta e um drama - vencia o drama
Entre uma comédia romântica e um filme de cachorro - vencia o filme de cachorro.

Ainda tinha os filmes que eu chamava de "coringas", era só botar pra concorrer que ganhavam:

Rock I
Rock II
Rock III
Rock IV
Os Nerds (todos da sequencia)
OS Porks
Lagoa Azul
E o Vento Levou...
Patton: Rebelde ou Herói
A Casa Caiu
O Guarda-Costas
Ghost: Do Outro Lado da Vida

No final das contas eu sempre via o filme, querendo ou não, quando eu não queria ver, eu via pra saber qual o filme do dia seguinte.

Enfim, demorei para assimilar a maravilhosa ideia da televisão não sair do ar.

Até que em uma maldita madrugada de domingo para segunda, minhas ilusões foram por água abaixo.

A Globo anunciava:

"Neste domingo estaremos realizando manutenção em nossos equipamentos e difusores, e por isso, excepcionalmente, não exibirimos a "Sessão de Gala".

Como assim? Não era ininterrupto? Patifes.

E assim até hoje. Uma vez por mês, a Globo interrompe a transmissão para fazer a maldita manutenção de seus equipamentos.

Pergunta: Em 2010...tecnologia de ponta... estúdios de última geração... e ainda hoje não tem como fazer manutenção em parte dos equipamentos e deixar outros ligados garantindo a transmissão?

E mais: Se não tem como deixar de parar tudo, qual o motivo de parar nesse horário?? Pq não fazem manutenção dos equipamentos domingo de tarde na hora do programa daquele gordo chato?? Sábado de noite na hora do zorra total?? Pq? Pq? Pq?

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Correio dos Leitores

Seguindo a postura vanguardista de nosso Mestre Falcão em seu espaço bloguístico. Agora farei uma postagem especial sobre os comentários de nossos leitores.

Ivelize asseverou que sou parcialmente viado em face da atração pelo Bruno Garcia. Em primeiro lugar, sou tarado não pelo Bruno Garcia, mas pela Vilminha , uma dona de casa frustrada, tentando expressar seus anseios ao marido(o fato dela ser interpretada por um homem é um mero detalhe).

No mesmo passo, nossa querida Ive, sempre aproveitando o espaço para fazer suas confissões (não deixe de ler o post sobre a promoção amasse o seu aro e apareça no seu aro) demonstrou ser parcialmente zoofila, ou desenhofila, e azulófila, como queiram.

Vejam a foto da esquilinha que desperta a libido de nossa leitora e sua respectiva dubladora:




E ainda temos a criatura azul do filme avatar, que possui de fato um físico invejável. Acredito que Ive tenha saboreado muito o filme em 3D.




Já nosso caro Wagner lembrou com muita perspicácia a existência de um filme em que Patrick Swayze se traveste, e não somente ele. O nome do filme se chama To Wong Foo, Thanks for Everything! de Julie Newmar.



No Brasil: "Para Wong Foo, Obrigado Por Tudo!" . E em Portugal: "Os Três Mosqueteiros do Amor" (Parece título de filme pornô)

O filme conta a história de três drag queens que viajam pelo interior dos Estados Unidos, quando o carro em que estão quebra e elas ficam encalhadas numa cidadezinha onde nada acontece. Ou acontecia... os três tiram proveito da situação e usam o glamour para chacoalhar os moradores com um palco montado para um fim de semana de alegria e simplicidade. Muito bacana o filme.

Patrick Swayze interpreta "Vida Boheme", mas caro Wagner, quem tá muito mais gostosa nesse filme é o Wesley Snipes que interpreta "Noxeema Jackson", uma mulata da mangueira legítima.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Atrações Inusitadas

Preclaros Leitores,

Vasculhando minhas reminiscências no intuito de realizar uma verdadeira auto-análise endosco-emotiva, encontrei fatos inusitados, na verdade, paixões inusitadas que fogem ao paradigma clássico mulher, sem me inserir no paradigma clássico baitola.

Explico.

Quem já não foi apaixonado ou sentiu atração por pessoa ou coisa fora de gênero? Faço uma lista das minhas:



ILZE SCAMPARINI

Essa paixão dura até hoje, sempre quando vejo a correspondente da Globo em Roma sinto despertar em mim os desejos mais sodomitas.

Nada de Tiazinha, Mulher Melancia, Jaca, Pêra, Melão. Filé mesmo é a Ilze Scamparini.

Aquela voz suave e ao mesmo tempo severa. A expressão rígida, como se fosse irmã do Steven Seagal, sempre tendo como pano de fundo um monumento católico sagrado me levam a pensar nas maiorias sadomasoquices.



Penso em Ilze nua no meio do Vaticano, com as pernas abertas apontadas pra cima olhando pro topo da Capela Sistina e gritando: "Michelangelo.. pinta como eu pinto!"



Tem como olhar pra essa foto e não pensar em putaria????

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Pior que a Ilze só a Jessica Rabbit. A Angelina Jolie da animação é a estrela do filme "Who Framed Roger Rabbit" (br: Uma Cilada para Roger Rabbit / pt: Quem Tramou Roger Rabbit?) comédia e fantasia estadunidense de 1988, dirigido por Robert Zemeckis, produzido por Steven Spielberg e baseado no romance Who Censored Roger Rabbit?, de Gary K. Wolf.

O enredo do filme se passa em Hollywood, em 1947, onde os personagens de desenho animado (chamados simplesmente de "Desenhos") co-existem e interagem naturalmente com os seres humanos.

O filme conta a história de Eddie Valiant, um detetive particular capturado em um mistério que envolve Roger Rabbit, um famoso astro dos desenhos animados acusado de homicídio.

Kathleen Turner faz a voz de Jessica Rabbit: A esposa fisicamente atraente de Roger Rabbit. Amy Irving dublou Jessica nas cenas em que ela canta, enquanto Kathleen Turner faz a voz normal.

Alguém sabe o que é ser apaixonado por uma ficção? Minha infância foi marcada por esse amor impossivel.
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Quando a banda Hanson surgiu nos idos dos anos 90 do século passado, logo me chamou a atenção uma garotinha magra e loirinha que tocava piano e era a vocalista do grupo.

Desde criança tive uma atração fatal por loiras, o primeiro passo para ser um pagodeiro ou jogador de futebol de sucesso, como não despontei como talento em nenhum dos segmentos tive que me vingar na mão, escrevendo...

O grupo foi formada em 1992 pelos irmãos Isaac Hanson (guitarra e voz), Jordan Taylor Hanson (piano e voz) e Zachary Walker Hanson (bateria e voz), em Tulsa – Oklahoma (EUA).

Passados alguns anos, o grupo veio fazer sua primeira apresentação no Brasil, e eu ansioso por vera aquela gatinha, para meu desespero, a vi se transformar num marmanjão.

Isso mesmo, fui apaixonado por Jordan Hanson pensando que era uma mulher. mas vejam na foto acima, não parece uma menina?
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O pior de tudo é que o trauma repercutiu de alguma forma em minha consciência, pois desde o primeiro epísódio da extinta série "Sexo Frágil" considerei o Bruno Garcia interpretando a Dona de Casa Vilminha um tesão.

O Bruno Garcia é muito gostosa!
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Resumo: dois homens ( um vestido de mulher e outro que eu pensei que era mulher), um desenho animado e uma correspondente internacional com cara de frígida.

Quem bate meu recorde de bizarrices?

sábado, 21 de agosto de 2010

De Beauvoir a Carla Cristina: O Axé e a Denúncia Social



Depois de uma longa pausa, o meu, o seu, o nosso aro irá analisar mais uma canção da MEB (Música Erudita Brasileira) muito escutada, dançada, mas pouco refletida.

Como todos os senhores conhecem, em algum lugar do passado recente, o boom do axé music tomou conta dos televisores nacionais e a cada domingo um novo grupo bahiano surgia com um sucesso e uma proposta musical e artística inovadora.

Beto Jamaica e Cumpadi Uóxito trouxeram o conceito heideggeriano de “tchan”, a companhia do pagode trouxe a garrafa e Kant, Hegel e Nietzsche quando viram a boca da garrafa ficaram loucos e também foram ralar.

Se você se inquire sobre qual seria essa concepção essencial, aí vai:

O Axé Music surgiu obviamente como um movimento de massas, ambicionando agrupar no mesmo espaço apertado, o maior número de gente suada e fedida para pular e repetir roboticamente passos e coreografias ditados por livres pensadores e artístas do corpo que, através de suas dancinhas, poderiam liberar o boga (ops) a consciência para experimentar de forma carnal o processo de alienação e reificação na sociedade de massas.

De fato, o termo Axé Music agrega grupos e pensadores de orientações totalmente distintas:



Temos Bel Marques e o Chiclete com Banana que conservam a constante tentativa de lançar o homem diante do espanto aristotélico para com a realidade: “Cara Caramba!”...O que é o Chiclete com Banana? É um afecto, a maleabilidade borrachuda e insistente da contigência existencial em termos Sartreanos;



Por sua vez, temos Durval Lelys e o Asa de Águia que através do humor, da irreverência e da bufonice pregam uma nova moral em uma perspectiva nietzcheana, daí o nome: Asa de Águia.

Não é peito de frango, coxa, sobrecoxa, mas sim: Asa, e de águia, o instrumento-meio para alçar as elevadas alturas do espírito livre.



Curiosamente, outros grupos como Terrassamba, Harmonia do Samba, Banda Mel, Banda Beijo, Axé Blond e Banana Split foram acusados de terem perdido as raízes e concepções iniciais do movimento do Axé Music. “Trairam o movimento Axé Music véio” disse o Sociólogo Dado Dollabella.

Os preceitos basilares trazidos por Cumpadi Uóxito com o tempo foram se degradando em exibições de corpos malhados matematicamente em academias, além de coreografias repetitivas e enfadonhas, o que deu abertura para o surgimento do período mais negro da música de domingo (assim conhecido tal movimento em razão do espaço explorado nos programas dominicais de entretenimento).

O crepúsculo do Axé veio com o Padre Marcelo Rossi que, aproveitando-se dos princípios e diretrizes do movimento, utilizou o Axé no escuso intento de evangelizar e trazer a palavra da salvação, em certos momentos no mesmo grandioso palco de Gugu Liberato, grande menestrel e responsável outrora por abrigar estes grandes artistas e gênios da música brasileira.



O Axé caiu no obscurantismo, e podemos chamar esse período de Idade Média do Axé Music. Pouco se produziu nesse período e as rádios estavam abarrotadas das canções doutrinadoras do Padre Marcelo.

De toda forma, o papel de resgate filosófico, cultural e reflexivo do axé music original caiu na mão de um grupo de mulheres, todas oriundas da vanguarda do feminismo bahiano e seguidoras fieis de Simone de Beauvoir e Susan Sontag.



Carla Cristina Magalhães Ribeiro Andrada nasceu em Salvador-BA, filha da mais fina burguesia bahiana, estudou nas melhores escolas da capital, mas para espanto de todos, traiu sua classe abandonando a faculdade de Administração na UFBA para cursar Filosofia e Etnologia na Sorbonne em París.



Passados alguns anos, influenciada e incentivada por Simone de Beauvoir, sua mentora, Carla Cristina voltou ao Brasil para, junto com outras jovens artistas e intelectuais soteropolitanas, resgatar o caráter crítico do Axé Music.

Ousadas e irreverentes, as artistas eram conhecidas pelos cafés e bares de Salvador como “As Meninas”, passando estas a aderirem e intitularem-se definitivamente como tais.



O primeiro disco foi de cara um grande sucesso, trazendo em seu bojo toda a carga ideologica contida nos anseios e expectativas do grupo, “Xibom Bombom” lançado em 2000 pela Universal Music vendeu mais de 400 mil cópias no Brasil, recebendo disco de ouro.

A música de trabalho do primeiro álbum será analisada a seguir:

“Bom xibom, xibom, bombom!
Bom xibom, xibom, bombom!
Bom xibom, xibom, bombom!
Bom xibom, xibom, bombom!”

João Cabral de Melo Neto

De plano, temos uma expressão repetitiva que alterna e brinca com o adjetivo: “bom”, que repetido forma o substantivo: “bombom”, ou ainda o adjetivo “bom” superlativizado, e tendo o “xi” como intersecção, ou ainda como prefixo da expressão "xibom".

O que seria o "xibom"?

Vemos portanto, que a filiação ao concretismo é anunciada logo no início.

“Analisando
Essa cadeia hereditária
Quero me livrar
Dessa situação precária...(2x)
Onde o rico cada vez
Fica mais rico
E o pobre cada vez
Fica mais pobre”


Talvez o grande feito das Meninas tenha sido empregar o verbo “analisar” em uma canção de axé. Quem diria hein?

E o que analisam as Meninas?

Uma cadeia hereditária. Vemos aqui o denuncismo de conteúdo político, relembrando que é no Estado da Bahia que temos uma das mais famosas famílias de caciques políticos que passam de geração em geração o poder estatal: os Magalhães.

O eu-lírico ainda aponta o intuito de desvencilhar-se do estado de precariedade em que se encontra no meio desse sistema.

Tal sistema assume um caráter determinista expresso na relação vetorial onde o abastado somente se acentua como tal e por sua vez o miserável só se exterioriza e age afundando-se mais na pobreza.

O Determinismo nega a possibilidade de escolha ante a existência de uma sucessão de fatos que o homem não pode interromper e escapar. O homem está submetido,inexoravelmente, a uma série de leis naturais, sujeitas ao princípio da causalidade.

Estão contidos nessa extrofe o darwinismo social, o determinismo de classes e o sujeito esmagado pelo fenômeno social.

Mais do que denunciar, as Meninas buscam apontar causas para tal fenômeno e assim expressam:

“E o motivo todo mundo
Já conhece
É que o de cima sobe
E o de baixo desce
E o motivo todo mundo
Já conhece
É que o de cima sobe
E o de baixo desce”...


Temos que considerar que tal composição emergiu em um clima de profundo pessimismo.

A queda do muro de Berlim, a derrocada da ideologia marxista, o neoliberalismo soberano em todo o mundo e enquanto isso no Brasil o que viviamos?

A consolidação da política liberal iniciada por FHC e reiterada por Lula e as privatizações generalizadas.

O de cima inevitavelmente subirá, o de baixo descerá, mesmo sendo de conhecimento geral, a tomada de consciência da classe trabalhadora não se efetivara como previsto no ideal Marxista.

E o refrão:

“Bom xibom, xibom, bombom!
Bom xibom, xibom, bombom!
Bom xibom, xibom, bombom!
Bom xibom, xibom, bombom!”




O que parecia uma criação concretista toma novos ares, o bom xibom, xibom, bombom, se assemelha ao movimento impiedoso de uma máquina, de uma caixa registradora, utilizando-se de um recurso que Chaplin empregou no filme "Tempos Modernos", para denunciar a automação e alienação do individuo no trabalho, não reconhecendo mais a si em seu produto.

Contudo:

“Mas eu só quero
Educar meus filhos
Tornar um cidadão
Com muita dignidade
Eu quero viver bem
Quero me alimentar
Com a grana que eu ganho
Não dá nem prá melar
E o motivo todo mundo
Já conhece
É que o de cima sobe
E o de baixo desce
E o motivo todo mundo
Já conhece
É que o de cima sobe
E o de baixo desce...”


O humanismo expresso na estrofe final é esperançoso. No anseio do trabalhador está a aurora de um novo dia. A luta pelo salário digno, a busca pela educação, alimentação, dignidade e cidadania trazem em si a semente do novo amanhã, mesmo em face do determinismo que todo mundo já conhece em que o de cima sobe e o de baixo...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

São apenas calúnias...



Ultimamente, este que vos escreve tem sido alvo de comentários e rumores sobre uma suposta revelação a ser feita no mês de setembro. Estaria ele aguardando o centenário do corinthians para revelar que na verdade é bambi?

Meus caros, não tenho nada a revelar, até em razão da única coisa que tenho a confessar e que volta e meia poderia ser motivo de constrangimento, é o fato público e notório que sim.. eu sou corinthiano.

Minha mãe sempre soube, meu pai chegou até a incentivar. O resto, foram más companhias, influências negativas da mídia (Dinei) e o principal: A falta de oportunidades. O sistema que me fez assim .

Quanto ao fato do bambilismo uma coisa cumpre observar.

Em muitas ocasiões o velado preconceito social do brasileiro de classe média e classe alta, que não pode fugir do políticamente correto, é expresso através de brincadeiras relativas aos torcedores de times tipicamente populares, como Corinthians e Flamengo.

Ou seja, o cara não pode dizer que não gosta de pobre, negro e favelado, mas pode falar mal de corinthiano e flamenguista associando as ideias diretamente.

Por outro lado, poder-se-ia dizer que as sátiras relativas aos sãopaulinos traduziriam uma homofobia velada. O que não é mentira. Mas há de se considerar que a relação cultural do brasileiro com o homossexualismo é muito híbrida.

O cara adora piada de bicha, ri de bicha, ri com bicha, imita bicha, mas não pode ser amigo ou parente de uma!?!?

Longe do patrulhamento ideologico, acredito que o humor ajuda a quebrar barreiras e o fato de impormos tabus só aumenta a tensão social e o preconceito velado. Eu por exemplo, fui criado numa cultura de consumo e produção de humor relativo aos gays, acho graça de piada de bicha, imito bicha, riu das ironias e graças das bichas e aprendi a conviver, respeitar e defender a diversidade...

Momento oportuno, para certos sujeitos, lembrarem que o bambi (e o ridiculo dos bambis) não é um termo pejorativo pela opção sexual de nossos colegas tricolores,mas um enaltecimento de sua origem elitista, racista e cheia de frescura.

Nossos avós corinthianos chamavam os avós dos bambis de pó-de-arroz. Expressão para o tricolor do morumbi e das laranjeiras que não admitiam negros ou mestiços em seu plantel.

Já sobre a revelação... prefiro citar outro pedreiro bruto e ríspido que um dia foi duvidado sobre o mesmo.. e assim ele brutamente respondeu na versão do clássico "tell me once again" que virou:

Diz que vai dar, meu bem
Seu coração pra mim
Eu deixei aquela vida de lado
E não sou mais um transviado

(ref.)
Telma, eu não sou gay
O que falam de mim são calúnias, meu bem
Eu parei . . . . .

Não me maltrate assim não posso mais sofrer
Vamos ser um casal moderno
Você de bobs e eu de terno (ref.)
Eu sou introvertido até no futebol
Isso tudo não faz sentido
E não é meu esse baby doll (ref.)

Telma, ô Telminha, não faz assim comigo
Não me puna por essas manchas no meu passado
Já passou, esses rapazes são apenas meus amigos
Agora eu sou somente seu, meu amor

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Márcio Greyck: O Melhor Amigo do Homem



Foi na minha primeira dor de cotovelo que eu conheci a combinação drástica de uma garrafa de Ypioca e Márcio Greyck. Dalí em diante, nos recorrentes abalos fenomenológicos e amorosos de minha consciência, encontrava em Greyck o companheirismo que Heidegger não era capaz de me dar...

Nos inúmeros impasses e conflitos provocados pelo choque contigencial do ser ante estas criaturas chamadas de mulheres, "criaturas do sexo feminino", ele estava lá.

Uma coisa é fato: Dor de cotovelo = Márcio Greyck.

Mas nunca esqueça: Nunca ouça Márcio Greyck sozinho.

Enquanto a Xuxa e Engenheiros do Hawaii fizeram músicas com mensagens subliminares louvando o capiroto, alguns bêbados relatam que quando se ouve Márcio Greyck sozinho, uma voz ao fundo te instiga ao suicidio.

Digo: Nunca, nunca ouça Márcio Greyck sozinho. Sempre esteja acompanhado de um amigo e de uma garrafa de pinga.

Acompanhemos algumas pérolas poéticas deste cantor do sofrimento e do abandono:

APARTAMENTO

O que eu podia ter, eu tenho
O mundo é muito bom pra mim
Me deu mais do que eu mereço
Pagou mais do que meu preço
Mas não estou feliz aqui...


A primeira estrofe contextualiza o eu-lírico em sua realidade material, dominada pelas relações de produção. A alienação advinda com o conformismo diante das benesses do capital, estas reduzem o ser e o fazem crer que seu eu está reduzido ao que possui.

As coisas desse apartamento
Jamais sonhei poder comprar
Tenho tudo o que eu queria
Mas a vida está vazia
E eu não estou feliz, porquê...



Todavia, o vazio existencial não se preenche através da mera relação material com os bens de consumo. A falta de uma espiritualidade perdida, A utopia da felicidade do pequeno-burguês que nunca se efetiva.. A angústia inefável do homem contemporâneo.

Falta você pra morar nessa casa
Pra pisar no tapete e alegrar minha cama
Tudo o que eu tenho não vale de nada
Pois você está distante
Você já não me ama


O eu-lírico projeta na amada sua raison-d'être, a ausência da musa é o preenchimento animico dos objetos e bens de consumo. É a memória, no sentido proustiano, que lança vida e experiência ao tapete inanimado.

Falta você pra morar nessa casa
Pra pisar no tapete e alegrar minha cama
Tudo o que eu tenho não vala de nada
Pois você está distante
Você já não me ama

Você já não me ama...
Falta você!


Eis o homem pós-moderno, aflito, em companhia dos bens de consumo que não atribuem sentido à sua realidade. A imobilidade da mobília é a correspondência da estagnação da existência sem amor.

domingo, 1 de agosto de 2010

Por qual razão Jesus ainda não voltou?


Muitos se questionam sobre quando Jesus voltará, ou a razão dele ainda não ter voltado para livrar a terra do mal e dar um kickroad no capeta.

Apresento algumas teorias para o atraso no retorno...



Jesus poderia estar preso no caminho da serpente depois de treinar muitos anos em uma gravidade maior que a terra no planeta do Sr. Kaioh.



Na verdade Jesus há havia treinado com o Sr. Kaioh por dois dias depois de ter sido crucificado, quando seus discipulos Pedro, João e Kuririn reuniram as sete esferas e o trouxeram a vida, para descrença de Tomé.
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Outra possibilidade é Jesus ter se perdido e buscado informações com o Mestre dos Magos que deve ter lhe dito coisas como:

"O que você procura fora, talvez esteja dentro de você".
"O caminho do retorno nem sempre é o trajeto da ida".
"Voltar por onde veio, não significa passar por onde já se passou".

O coitado tá confuso até agora...
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Ou talvez Jesus esteja simplesmente engarrafado na Dutra...

domingo, 25 de julho de 2010

Nomes de Igrejas mais Estranhos



Vejam uma lista dos nomes de igreja mais estranhos:

Igreja da Água Abençoada - Congregação 51, uma boa ideia.
Igreja Adventista da Sétima Reforma Divina - Inclusive pode pedir um Construcard
Igreja da Bênção Mundial Fogo de Poder - Para as facções mais radicais que adoram um atentado à bomba.
Congregação Anti-Blasfêmias - Se mentir que não pagou o dízimo, está fora
Igreja Chave do Éden - Com atendimento 24h para troca de segredo
Igreja Evangélica de Abominação à Vida Torta - Lordose, sifose e outras torturas não são bem vindas
Igreja Batista Incêndio de Bênçãos - Sede no Ed. Joelma
Igreja Explosão da Fé - Tipicamente Muçulmana
Igreja Pedra Viva - Fundada sobre as placas tectônicas
Comunidade do Coração Reciclado - Associada à ONG PET no LIXO
Cruzada de Emoções - Específica para alas, ponteiros agudos e volantes que chegam à linha de fundo
Igreja Pentecostal Jesus Nasceu em Belém - E ouve Calypso.
Igreja Evangélica Pentecostal Labareda de Fogo - Missas transmitidas pelos canais HOT
Igreja Evangélica Pentecostal a Última Embarcação Para Cristo - Versão moderna da Igreja Navegantes
Comunidade Arqueiros de Cristo - Todos ex-goleiros portugueses
Igreja Automotiva do Fogo Sagrado - Para os funcionários da GM que serão demitidos quando a fabricar migrar para um outro país com mão de obra sagrada
Igreja Batista A Paz do Senhor e Anti-Globo - Igreja do Sílvio Santos
Igreja Palma da Mão de Cristo - Banda de pagode convertida para o samba na palma da mão
Igreja Menina dos Olhos de Deus - Igreja oftalmológica
Associação Evangélica Fiel Até Debaixo DÁgua - Para escafandristas
Igreja Batista Ponte para o Céu - Com os comentários na RBS, o Batista não vai pro céu
Igreja da Cruz Erguida para o Bem das Almas - Bispos Power & Guido
Igreja Filho do Varão - Eles usam batina para esconder o Varão
Igreja da Oração Eficiente - E-mail direto para o Homem com aviso de recebimento
Igreja Socorrista Evangélica - Ligue 192
Igreja Cristo é Show - O ingresso antecipado é mais barato
Igreja Barco da Salvação - ideal para a cidade de São Paulo, Marginal Pinheiros
Igreja Evangélica Bola de Neve - para climas temperados
Igreja Evangélica Batista Barranco Sagrado - especialista em picanha na tábua
Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo - baba sagrada
Igreja Evangélica Luz no Escuro - luz no claro não é economicamente sustentável
Assembléia de Deus Batista A Cobrinha de Moisés - difamação histórica do tamanho do pinto do Mô.
Assembléia de Deus Fonte Santa em Biscoitão - projeto fome zero
Igreja Bailarinas da Valsa Divina - Vivaldi redivivo
Igreja Batista Floresta Encantada - Schrek é o Senhor
Igreja do Louvre - culturalmente correta
Igreja MTV, Manto da Ternura em Vida - apresentação Marcos Mion e Marcelo Adnet
Igreja Quadrangular O Mundo É Redondo - seria melhor a Igreja Circular do Mundo Redondo
Igreja pentecostal Esconderijo do Altíssimo - a criminalidade é tanta que o Homem está se escondendo
Ministério Favos de Mel- apicultores reunidos m nome do senhor
Igreja do Evangelho Integral - encontros no restaurante Prato Verde